FILHOS DE PASTOR 2 - Que privilegio?

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Olá a todas. Hoje queria dar continuidade ao tema da semana passada. Eu sei que eu tinha dito que ia falar sobre as nossas dificuldades, mas esse tema do privilegio de ser filhos de pastor ficou na minha cabeça e estive meditando sobre esse tema.
Por que então, há filhos que não veem como privilegio o ser filho de um pastor ou de um bispo? Não vou falar de ninguém, vou falar de mim mesma, do momento em que eu também não via como um privilegio, senão, um fardo.
Meu pai foi enviado para o Japão no ano de 1995 para abrir a igreja lá. Eu tinha nessa época 11 anos, estava entrando na adolescência. Quando chegamos lá, tive  que ir para a escola japonesa mesmo sem saber falar nada de japonês nem saber nada da cultura deles. Na escola fui muito humilhada e os japoneses me tratavam muito mal, por eu ser brasileira. Me insultavam, não queriam ser meus amigos, me chamavam de “butajirujin”, uma palavra inventada por eles que é uma junção de burajirujin com buta (buta = porco, burajirujin = brasileiro) ou seja, porco brasileiro traduzindo ao pé da letra. E outros muitos insultos que não valem a pena contar aqui. E o que mais me doía era quando eu via eles fazendo bullying com meu irmão por ser gordinho. Eu me sentia péssima e minha raiva de estar no Japão só aumentava. Foi aí que comecei a reclamar com Deus e indaga-Lo: “Por quê eu tenho que passar por tudo isso? Eu não escolhi essa vida, eu quero voltar para o Brasil! Por quê tenho que suportar tudo isso se essa é a vida do meu pai e não a minha? Eu nunca pedi para vir para o Japão…”  E chorava muito no meu quarto. Nunca reclamei com meus pais, pois não queria entristece-los, mas com Deus, reclamava e muito!!! Não aceitava ter que passar por tudo aquilo, achava que não merecia tanta humilhação, tanto desprezo, tanto bullying.
Foram muitos meses de lágrimas pelas lutas que eu passava na escola, sem amigos, sozinha e me achando a menina mais feia da escola (eu não tinha o estereotipo das japonesas, magrinhas, branquinhas e de cabelo lisinho). Além de tudo, eu cheguei lá já na sexta série, e os japonês já estavam muito avançados nas aulas de música, arte, piano, eletricidade, costura e etc. E meus trabalhos comparados com os deles, pareciam de criancinhas do prezinho rsrsrs, aí que minha frustração aumentava, quando eles riam dos meus trabalhos (que a professora insistiam em colocar na parede do corredor da escola para todo mundo ver).
Nessa época eu não me achava nem um pouco privilegiada de estar no Japão, com meus pais servindo a Jesus. Eu achava tudo aquilo um fardo, que eu não merecia, que não era o que eu queria para mim. Hoje eu entendo que era Deus me preparando para muitas outras coisas! Hoje reconheço isso, mas naquele momento não!!
Na semana que vem tem mais, fiquem ligadinhas!!
Que Deus as abençoe muito.
Many kisses
Juliana Furucho

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